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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ele estava lá, aliás, sempre esteve. Nos piores e melhores momentos da minha vida. E eu? Eu nunca percebi.


Era uma tarde não muito quente da primavera.
Eu me sentei na areia úmida, próxima ao mar. Me concentrei no doce agressivo barulho das ondas e no vento que soprava em meu rosto, fechei os olhos e me foquei apenas nos mesmos.
Senti alguém me envolvendo em seus braços, olhei para trás e era você. Você, que eu nunca dei a devida atenção merecida, o devido amor, a devida devoção. No mesmo instante, você encostou a minha cabeça em seus ombros, e nesse momento me senti totalmente segura. Era como se nada de mal existisse no mundo, você proporcionava todas as coisas boas que eu precisava.
Logo, tu passou as mãos em meus cabelos os acariciando, juntou as sombrancelhas com uma expressão de confusão - Oh minha pequenina, não fique assim, eu sempre estarei aqui, do teu lado, mesmo que as vezes não perceba. Eu sempre estive aqui, em todos os momentos. Eu presenciei todos os teus medos, as tuas angústias, as tuas dores. Eu sempre tentava te abraçar, mas você fugia. Parecia não querer a minha ajuda... Mas eu nunca deixei de olhar pra ti, de te proteger. Eu estava e estarei aqui o tempo todo, a qualquer momento tu sabes que pode conversar comigo. - Disse com sua delicada e tranquilizadora voz. Ele esboçou um sorriso de lado, e eu sorri tbm. Estava tão bom ficar ali, ele proporcionava tudo o que eu precisava... Fechei os olhos (...)
Quando os abri de novo, ele havia sumido. Senti o vento soprar meu rosto novamente e com a sensação de ser beijada em meus cabelos percebi que ele ainda estava ali, e sempre estará. Não fisicamente, mas esperitualmente. Ele sempre estará aqui, dentro de mim. Basta eu procurar, basta eu querer sentir a tua presença.



Havia guardado esse texto, há um tempinho e agora resolvi posta-lo. O que achas? Do que se trata, vocês decidem. Interpretem como quiser, afinal, tudo é interpretação.
PS: Ainda irei seguir e comentar todos os blogs que me seguem/comentem. Pode demorar um pouco, mas o farei.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A part of my heart.


Dia 02/02 seria um dia como qualquer outro, se não acontecesse uma das piores coisas da minha vida.
Comprei meus materiais de manhã, a tarde saí para tomar sorvete e voltei para casa. Eu estava assistindo tv, quando meu irmão menor foi na sala perguntar onde tava o Luy. Eu disse que ele poderia estar brincando em qualquer lugar da casa, dai ele disse ‘Não, Luiza, eu não to achando o Luy!’ Eu despreocupadamente fui ajudá-lo a procurar o cachorrinho. A essa altura, todo mundo tava procurando o Luy, ate que a minha mãe apontou pra máquina de lavar e falou que ele tava ali. Daí eu fui correndo chamando ‘Luuuuy, vem aqui bêbê!’ E abaixei para tocá-lo. ‘Hey, Luy, eu to te chamando, vem!’ Sempre quando eu o chamava, ele abanava o rabinho, e dessa vez, ele não abanou. Eu logo estranhei, e toquei um dedo no corpinho dele. Percebi que estava rígido. Comecei a empurrá-lo. ‘LUUUUUY, LEVANTA LUY!’ E então, uma lágrima logo escorreu em meu rosto e concluí que ele estava morto. Nesse momento, minha mãe se desesperou, nós duas levantamos a máquina, sentimos um cheiro ruim e vimos o meu pequeno com os olhos abertos e a boca também. Logo virei o rosto, eu não conseguia suportar ver aquela cena. Uma onda de angústia e dor invadiu o meu corpo. Sei que não estava sendo uma das melhores donas por esses tempos por conta de vários aspectos, mas Deus sabe como eu o amava. Lembro perfeitamente do primeiro dia em que o vi, pequenino, a feição um pouco medonha, mas logo nos intimidamos. Apaixonei-me por ele.
Meu irmão pegou uma inchada e fez um buraco no quintal para enterrar o meu bebê. Eu fui ajudá-lo. Após abrir um buraco, meu pai veio com o Luy nos braços, e quando vi aquela cena eu chorei mais ainda. Tantas coisas passaram na minha cabeça ao mesmo tempo. Eu abaixei a cabeça e saí correndo pro meu quarto. Eu desejava que aquilo fosse um sonho, desejava acordar, ir para a varanda e ver o Luy correndo em minha direção latindo e abanando o rabinho. Mas infelizmente aquilo era a mais pura realidade. Ele se foi, e com ele, uma parte do meu coração também morreu. Eu sei que agora o Luy está em um lugar muito melhor que aqui, eu sinto isso. Mas com certeza, se eu pudesse voltar atrás, acho que nunca sairia de casa naquela terça feira. Sinto que eu poderia ajudá-lo. E agora vem a sensação de incapacidade, de culpa, dor, sofrimento.
Não sei por que, mas sempre que amamos muito alguém, parece que eles são imortais. E quando esse alguém morre, é um grande choque. Nós nunca esperamos que a morte chegue para eles. Mas a realidade é que um dia nós vamos perder todos que amamos. Quando chamarmos ele (a), nós não vamos receber uma resposta. E é nesse momento em que vamos realmente saber o verdadeiro valor do tal. Temos que dar mais valor a quem amamos enquanto há tempo... Porque amanhã pode ser tarde demais.

- Talvez esse pode não ser uma das melhores postagens, mas eu precisava desabafar. Precisava tentar por algo para fora, algo que me sufoca.
- Na foto não é o Luy, mas quando vi achei o cachorrinho muito parecido.
 
By Biatm ░ Créditos: We ♥ it